Após atos de violência, Governo de SP anuncia treinamento para PM

Após atos de violência policial cometidos nos últimos dias, o governo de São Paulo anunciou o lançamento do Programa Retreinar para reforçar os conhecimentos das forças de segurança do Estado visando a redução de casos de violência policial durante ocorrências.

A iniciativa, que deverá ser concluída em julho, fará parte das instruções e treinamentos da Polícia Militar e buscará ajustar a atuação da corporação. O programa prevê orientações aos integrantes da Polícia Militar em todos os níveis.

“O Programa Retreinar vai atender coronéis, tenentes-coronéis, majores, capitães e tenentes, iniciando pelo comando da PM e depois na Academia do Barro Branco, para que possamos retreinar todo o comando das nossas tropas”, declarou Doria. “Maus policiais que insistem em usar violência desnecessária junto à população vão compreender que isto não é aceitável na PM de São Paulo”, acrescentou.

A iniciativa atende a um pedido pessoal do Governador ao Secretário de Segurança Pública do Estado, General João Camilo Pires de Campos – ele foi diagnosticado com COVID-19 e está trabalhando remotamente enquanto cumpre o tempo de isolamento.

“Os próprios policiais condenam os excessos. São 20 mil ocorrências por dia, e a maioria delas acontece bem, salvando, protegendo e garantindo direitos. Os policiais se arriscam diariamente, mas não aceitamos ou compactuamos com excessos. Nós vamos retreinar todos os policiais em São Paulo a começar pelo comando”, afirmou o Coronel Álvaro Camilo, que é Secretário Executivo da Secretaria de Segurança Pública.

A meta do Governo do Estado é fazer com que o treinamento chegue a sargentos, cabos e soldados da PM em um prazo de 20 dias. “Para que todos relembrem o que aprenderam nas escolas, a defender o cidadão e proteger pessoas. Essa é a linha da polícia de São Paulo, proteger, salvar e fazer o bem”, acrescentou o Secretário Executivo.

Tanto o Secretário Executivo como o Governador reforçaram o rigor nas investigações sobre casos de má conduta policial ou uso excessivo da força durante ocorrências. Ao menos 220 policiais envolvidos em falhas graves ou crimes já foram demitidos ou expulsos das forças de segurança de São Paulo desde o início de 2019.

“Esse tipo de comportamento é investigado de forma rápida, objetiva e justa. Policiais são punidos e afastados em definitivo da corporação”, afirmou Doria. “Não compactuamos com o erro e cortamos na carne se necessário. Não falamos com orgulho, mas em sinal de transparência e de rigor nas apurações”, acrescentou o Coronel Camilo.

Abordagens violentas

Neste final de semana, circularam imagens, pelas redes sociais, de uma abordagem policial violenta em Carapicuíba, região metropolitana do estado. Na imagem, duas pessoas que estão em uma motocicleta são abordadas por policiais. Um policial militar aplica uma técnica de estrangulamento em uma das vítimas, que cai desacordada no chão.

PM sufoca homem negro até ele desmaiar e lembra ação que matou George Floyd nos EUA

Na semana passada, houve dois outros casos de violência policial. Em um deles, policiais militares estão sendo investigados por envolvimento na morte de um jovem negro de 15 anos. O jovem, identificado como Guilherme, desapareceu na noite de domingo (14), na Vila Clara, distrito de Jabaquara, na zona sul de São Paulo.  

Além desse caso, policiais militares de São Paulo foram flagrados, em imagens que circularam pelas redes sociais, agredindo pessoas rendidas no Jaçanã, na capital paulista, e em Barueri (SP).

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